Estou triste mas não sei porquê, sinto-me vazio mas não sei porquê, apetece-me chorar e não consigo mas não sei porquê. Certa noite desliguei-me de tudo, peguei no meu telemóvel e nos meus phones saí até onde me desse na cabeça.
Caminhei e caminhei, as minhas pernas podiam estar cansadas, tanto quanto o meu corpo devia de estar, mas o meu pensamento e a minha alma estavam tão concentradas naquilo em que me fazia sentir tão vazio que o cansaço era algo que passava para segundo plano.
Parei. Encontrava-me à beira de um pedaço de terra elevado em relação ao que estava a minha frente. Virei o meu olhar para cima, estava um céu escuro, profundo mas havia algo brilhante que chamava toda a minha atenção, a Lua. Aquela esfera que ao longe parece ser tão pequena mas que tem um grande significado para várias pessoas, e naquele instante eu era uma dessas pessoas. Aquela luz, não conseguia distanciar o meu olhar daquela luz tão serena, era o que me fazia sentir seguro, contente, calmo.
Finalmente desviei a minha visão do céu, dei meia volta e continuei a caminhar. O chão estava mais macio, passou de cimento a areia. Tinha chegado à praia. Enquanto caminhava à beira mar, o mar reflectia aquela lua brilhante em suas águas claras.
Tirei as sapatilhas e as meias, sentei-me e desta vez, antes de fixar o meu olhar na Lua, fixei-o no horizonte. A água gelada daquele mar cobria os meus pés.
Nesse momento, pus-me a pensar porque é que a vida é mais injusta que justa ? Porque é que temos de lutar tanto para ganharmos uma batalha se a maioria das vezes perdemos a guerra ? Para quê ter sonhos de vida se míseras pessoas com palavras insignificantes podem destruir isso em apenas segundos ?
Comecei a enfurecer-me e a ficar com raiva da vida, tanto que não aguentei e gritei: “PORQUÊ ?”. Mas isso também não adiantava de nada, não obteria nenhuma resposta.
Afundei-me mais uma vez nos meus pensamentos, e comecei a pensar nas minhas escolhas, nos meus sonhos (…) e de seguida dei por mim a falar sozinho, parecendo um lunático, com esperanças que alguém me ouvisse:
“Espero encontrar tudo o que me faça feliz e espero que seja tudo como sonhei ou melhor ainda, espero encontrar felicidade onde quer que esteja com quem esteja”.
O que se ouvia depois das minhas palavras era apenas o som do mar e do vento, para além desses sons naturais só se ouvia silêncio. Levantei-me e vim embora.
No percurso de volta a casa dei conta de mim que ainda estava triste, que ainda me sentia vazio, ainda me apetecia chorar e não conseguia e ainda não sabia o motivo disso tudo. Espero encontrar a resposta pra isso um dia destes.
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